segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

De Cristina para Marias Gurjão




Quando eu era criança ela fez 15 anos. Sua festa foi registrada num jornal, cujo recorte guardei por muitos anos. Na minha adolescência ela abriu uma das primeiras butiques do Rio, na Prudente de Morais. Fui lá conhecê-la. A coincidência de nomes fez com que ela me recebesse e acolhesse com um humor especial. Constatamos que éramos primas distantes e ela falou: “Não dá para você mudar seu nome? É um péssimo negócio ser minha homônima. Sou boêmia, da noite, comerciante endividada... E além de tudo quer ser jornalista como eu?”
Quando eu era uma jovem que namorava e saía para passear pela noite carioca com meus amigos, ela abriu uma outra butique, no Leblon, ao lado do mais badalado restaurante carioca, o Antonio’s. Só que dessa vez resolveu dar seu próprio nome ao estabelecimento. Grandes confusões! Claro que a família e os amigos pensaram que eu tinha mudado de ramo e, provavelmente, assaltado um banco, para inaugurar uma loja naquele local! Foi aí que surgiu a frase que virou um mantra em minha vida:  “Não sou eu, é a “outra”.
Quando ela casou com Vinicius de Morais, acho que provocou a maior confusão homonímia (será que essa palavra existe?!) de toda nossa vida! Até um padre amigo de minha mãe ligou para saber se era eu! Se o casamento durou pouco, esse fato permanece vivo até hoje. Em tempos de facebook, de vez em quando, tenho que emitir o mantra para alguns alunos que encontram na rede informações de meu casamento com o poeta! “Não sou eu, é a outra”, digo para grande decepção deles que pensavam ter uma celebridade como professora!
Quando entrei no jornal O Globo ela casou com Roberto Paulino, meu colega e super amigo do Segundo Caderno, com quem aprendi muito do que sou hoje como jornalista. Jovenzinha recém-casada entrei no jornal um dia e todos me olharam de um jeito muito estranho. Até que alguém teve a coragem de perguntar: “O que aconteceu com seu casamento? Você casou com Paulino?” Às gargalhadas entendi o espanto da turma e respondi com o mantra: “É a outra”.
 Quando já estava bem, profissionalmente, repórter ativa do dia a dia do Segundo Caderno, novamente fui vítima da perplexidade dos colegas. “Você não estava em Portugal, como correspondente? Como está aqui agora?” “Não pessoal, não tenho o dom da ubiquidade! É a outra”.
Quando fui para o Caderno B do Jornal do Brasil assinar matérias pela primeira vez na minha vida profissional, usei o sobrenome do meu marido para me diferenciar profissionalmente da prima que era muito mais conhecida do que eu. Passei seis meses lá num profundo ostracismo até que um dia, abri o jornal de manhã e vi uma matéria assinada com meu nome de solteira! Acreditem, ela estava lá, novamente, me envolvendo em equívocos. Daquele dia em diante meu telefone tocava todas as vezes que era publicada uma reportagem dela, obrigando-me a proferir o mantra... As minhas, ignoravam.
Quando voltou de Portugal, minha homônima foi morar na Lagoa com meu colega de redação do Globo. Adivinhem onde? No prédio da minha mãe! Foi um tal de correspondência sendo entregue errada, porteiros confusos e o mantra vagando no ar: “não é ela, é a outra”, até que se mudaram.
Quando me mudei para Friburgo com a família, um dia minha filha caçula entrou em casa e me disse: “Mãe sabe aquela sua prima com o mesmo nome seu? Ela estava no salão marcando uma hora para fazer as unhas.” Era o lugar que eu frequentava desde que chegara à cidade e corri para lá para saber mais informações. Era ela mesma, tinha um sítio perto da cidade e apareceu por acaso. Infelizmente não voltou na hora marcada e a perdi de vista. Em Friburgo?????? Demais não acham?
Quando me separei, anos depois, resolvi voltar ao meu nome de solteira e enfrentar as coincidências dali para a frente. Já estava muito velha para fugir do destino. Foi um ato de coragem, não só pela presença tão forte da prima no cenário social, como também por já ter um nome como jornalista e escritora. A família foi contra, mas insisti.
Quando abri o jornal naquele dia, menos de dois anos depois de minha separação, levei um choque. Um anúncio de morte com meu nome e sobrenome saltava aos olhos na página do obituário. Fiquei triste, ela partira cedo, não tivemos tempo de encarar os resultados dos nomes iguais... Nem preciso dizer que muita gente achou que era eu e telefonou para minha mãe e irmãos para ouvir o mantra: “Não é ela, é a outra.”
Quando isso aconteceu voltaram à minha cabeça as memórias de tantos caminhos cruzados, tantas situações engraçadas, tantas confusões desfeitas. Confesso que me deu uma certa nostalgia. Será que acabou? Até que um dia, entro no face da Ana Maria Ramalho e encontro um post a respeito do meu blog “Universo Paralelo” que dizia mais ou menos assim: “É estranho quando leio os textos dela. Mesmo nome, jornalista e escreve bem”. Era de Maria de Morais, filha de minha homônima. A história não acabara. Hoje somos amigas virtuais no face e esta crônica prometi a ela quando conversamos pela primeira vez. Aliás, prometi a mim mesma que um dia ia registrar nossa história.
Aí está Cristina Gurjão, para você com carinho de sua prima, Cristina Gurjão.
 
 

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Mensagem do I Ching para 2015

O que é o I Ching
O I Ching é um oráculo chinês com mais de três mil anos de existência. Diz-se que é o mais antigo livro chinês. Sua função é filosófica, fazer os homens pensarem sobre a própria vida. Ele é baseado nos elementos e forças da natureza – água, terra, fogo, ar, madeira, chuva, trovões, lago, vento; portanto, xamânico. A parte divinatória é secundária, e serve de ajuda para momentos de obscuridade.

Como se joga o I Ching?
Para se chegar aos hexagramas (formados por trigramas) – as seis linhas que nos trazem as mensagens – são necessárias combinações matemáticas de três moedas (no sistema cara e coroa); ou de varetas – estas mais complicadas –, obtidas através de seis jogadas. Usam-se normalmente as moedas para chegar aos dois hexagramas que compõem a leitura. O primeiro corresponde à questão principal; o segundo é a conseqüência do primeiro. É obrigatório fazer uma pergunta clara antes de iniciar o jogo.

Portanto, fiz uma pergunta ao oráculo para nos orientar no próximo ano:

I Ching, uma mensagem para o ano de 2015

Ele respondeu com o hexagrama 
36 – MING/ Obscurecimento da luz (sem mutante).

O Sol mergulhou sobre a terra e está obscurecido, o significado do hexagrama é “lesão do luminoso”. No texto há muitas alusões a ferimentos e diz que “um homem tenebroso ocupa a posição influente e causa malefícios aos homens capazes e sábios”,
Ele nos aconselha a ter perseverança no íntimo de nossas consciências diante das adversidades provocadas por esta situação. Precisamos ser fortes e não nos deixarmos abater, mantendo a fortaleza interior

É uma mensagem densa que fala de períodos difíceis. Precisamos nos preparar para as adversidades provocadas pela situação de um poder que obstrui a luz. E o I Ching nos ajuda através de alguns conselhos bem objetivos:

  •         Conservar a clareza interior.
  •         Ser adaptável no plano externo.
  •         Ocultar um pouco a própria luz nos ambientes hostis.
  •         Ser cuidadoso e discreto.
  •         Não atrair inimizades por conta de condutas impensadas.
  •     Não pretender saber tudo nos contatos sociais, porém, não se deixar enganar.
  •       Não se deixar levar pelos maus hábitos da maioria, porém, não criticá-los publicamente.


Ter consciência do que nos espera é o principal elemento de ajuda para seguirmos o caminho. Desejo que todos compreendam as palavras do oráculo e saibam aplicá-las individualmente na própria vida. A LUZ não permanece obscura para sempre e os homens de bem saberão fazê-la brilhar novamente através de ações iluminadas por seus corações.


Boas festa e um Ano Novo cheio de luz interior! 

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

A carta da vez: Os enamorados



Depois de um período conturbado de disputa política com rivalidades expostas e polaridades trocando ofensas, o tarô nos propõe uma trégua: os enamorados  – a carta do amor. Que belo momento para refletir sobre isso. As redes sociais mostraram sua possibilidade de servir tanto para o bem quanto para o mal. Muitos véus caíram e as queixas vêm dos dois lados. Ouvi petistas reclamando de excessos da oposição e senti na própria pele ofensas do PT... Foi bom perceber que o Facebook não é o “país das maravilhas” que aparenta ser com tantos gatinhos, cachorrinhos e passarinhos fofos enfeitando a vida de todos os seus participantes.  Sem falar nas correntes de solidariedade, nas fotos saudáveis de pessoas bonitas, iluminadas, sempre sugerindo alto astral e felicidade. Já repararam que ao vivo e a cores nos surpreendemos com muitas dessas pessoas reclamando de tristeza, depressão, problemas seríssimos em família? Não que a rede sirva para despejarmos problemas e recalques em cima de todos os “amigos” (embora até isso tenhamos que pular em alguns posts desnecessários de tragédias “alheias”, é claro...), porém os disfarces são tantos que o espaço de nossos “feeds” torna-se uma ilusão.

É preciso saber usar as redes sociais para nossos interesses pessoais e sociais. Fenômeno recente, aos poucos iremos aprender. Ouvi de um professor, num curso de especialização, algo que se tornou fundamental em meu relacionamento nas redes sociais: “Antes de usar uma rede social é preciso saber o que você espera dela. Por ser um caminho de ida e volta, o que você projetar é o que receberá de volta. Se o usuário quer relacionamentos, aprenda a se relacionar; se precisa de afeto, seja afetuoso; o objetivo é ser popular aceite muitos amigos e divulgue-se bem; interesses comerciais, explore as fan pages.” E por aí vai. Princípio básico: quem não gosta de se expor, seja discreto, senão será abatido pelo “fogo amigo”. E foi isso que vi acontecer neste período eleitoral, muitas pessoas reclamando de ofensas ou descasos de amigos e, pior, algumas amizades desfeitas. Que fique a lição. Ainda não conhecemos todos os poderes dessas novas ferramentas.

O que o tarô nos sugere através da carta dos enamorados é um bom caminho para todos os nossos relacionamentos, virtuais ou pessoais, depois deste momento turbulento, o amor. Sejamos cordiais, acolhedores, respeitosos, cúmplices e parceiros na reconstrução de um novo país que consolida sua democracia. É preciso lembrar que estamos vivendo o mais longo período de democracia de nossa história – 26 anos ininterruptos pós constituição de 1988. Considerando 514 anos de descobrimento, estamos engatinhando ainda. E o maior caminho para a prática do amor numa sociedade ainda é a democracia. 

Termino com uma frase do poeta Leon Paul Fargue, presente de mestre Arthur da Távola em uma de nossas trocas de correspondência:


Discussão somente é útil entre pessoas que pensam com afinidades e mesmo assim, apenas por questões de matizes.”

domingo, 7 de setembro de 2014

Viramos estrelas?



(...) “Nosso corpo traz a história do universo. Todas as células foram tecidas por moléculas feitas de átomos engendrados no Big Bang e cozinhados no calor das estrelas. Somos feitos de matéria estelar. Na intimidade atômica, cada partícula é também onda, como se a natureza risse de nossa lógica cartesiana incapaz de apreender que toda matéria, inclusive nosso corpo, é energia condensada.
Espírito não é algo que se opõe à carne, mas sua expressão mais profunda e luminosa. É fantástico que a própria natureza, em trajes bordados pela química e em baile ritmado pela física, tenha aflorado em seres dotados de inteligência capaz de decifrar os seus enigmas e apreender seu sentido.” (Frei Betto, Coluna Religião, O Globo, 19/06/2014)
Que bonito! Então quando alguém morre e dizemos para as crianças que a pessoa virou estrela, estamos ensinando física quântica? Não há nada de poético nem religioso nesta afirmação? Apenas ciência? A morte é uma transmutação de um estado sólido para outros menos densos, até atingir as moléculas estelares? Isto é uma consolação, uma simplificação, ou a derrubada total de todos os conceitos por nós vividos em milênios de religiões? Estaremos mesmo apreendendo os sentidos da natureza, através da inteligência? Então porque a morte ainda é tão difícil de encarar?
Impossível voltar a escrever minha coluna, depois de quatro meses afastada, sem refletir sobre a morte. Ela vem invadindo minha (e nossas) vidas, nesse ano de 2014, de forma implacável. Foi sem dúvida o motivo de meu silêncio nos últimos meses por estar mergulhada na escuridão do buraco negro que engole a matéria dos entes queridos que se vão. Foram duas irmãs em menos de quatro meses. Uma muito doente trilhou a passagem com coragem e muito sofrimento. A outra nos pegou de surpresa. Partiu sem avisar, fora da (nossa) hora, impetuosa e devastadoramente. Não foi acidente, mas um desastre! O barulho do Big Bang de seu buraco negro ecoa até agora e ainda não estou vendo as luzes estelares brilharem no firmamento... Verei, tenho certeza. E junto com as irmãs de sangue verei também o resplandecer da, quase prima, assassinada, subitamente no Rio e da colega de redação em O Globo, Sonia Biondo. Que arrebatamento é esse que levou para as nuvens cósmicas pessoas tão jovens? É certo que eram brilhantes e, talvez, já tivessem ultrapassado a vibração do planeta terra. Quem sabe já não teria entendido e decifrado os “enigmas” citados por Frei Betto?
Na política, assistimos o desaparecimento de Eduardo Campos e sua equipe. Gente que pretendia transformar o Brasil, mas já estava em tempo de “se transformar”... Será que essas energias, agora, estelares farão brilhar também as estrelas de nossa bandeira?
Pois é pessoal, estou assim, cheia de perguntas e conjecturas. Tentando apreender os indecifráveis enigmas da vida para me conformar com o buraco negro da saudade e acreditar que do lado de lá (dele), explode uma supernova cheia de energia estelar para iluminar a nós que ainda estamos condensados na matéria.

sexta-feira, 16 de maio de 2014

O problema do mundo pequeno



No Livro da Boa Sorte – como aproveitar o acaso e as coincidências, de Steve Richards, o autor cita o problema do mundo pequeno e diz que é um paradoxo de viajantes. Você está passando férias em Paris e se depara com o vizinho de cima, no elevador da Torre Eiffel. Ou passa um ano nos Estados Unidos e conhece um antigo companheiro de forças armadas de seu pai. Melhor ainda é estar na Austrália e descobrir que o garçom que serve sua mesa é sobrinho de sua massagista.
Segundo Steve Richards essas incríveis coincidências são muito mais prováveis do que podemos imaginar. Ele diz que Ithiel De Sola Pool, do MIT e Manfred Hochen, da IBM, calcularam matematicamente que, se cada pessoa em um país do tamanho dos Estados Unidos conhece cerca de quinhentas pessoas, pelo menos casualmente, as probabilidades de que cada duas pessoas se conheçam são de cerca de 200.000 para 1.
Se introduzirmos os intermediários na questão (se eles não se conhecem, mas conhecem uma terceira pessoa) as chances são ainda maiores. É provável que cada duas pessoas nos Estados Unidos estejam ligadas por não mais do que dois desses intermediários. Outras pesquisas indicam que a margem talvez seja um pouco maior – cinco intermediários. Mesmo assim, ainda é um número impressionante. Em um país do tamanho da Inglaterra não é unicamente possível como também matematicamente provável que não haja mais de uns poucos desses intermediários entre qualquer dos leitores e o primeiro ministro, ou até mesmo a rainha.
Steve dá um exemplo famoso e conta que três das principais figuras da Segunda Guerra Mundial – Winston Churchill, Franklin Roosevelt e o General Douglas MacArthur – eram primos entre si, todos descendentes de uma mulher pouco conhecida de Tauton, Massachusetts, chamada Sarah Barney Belcher. MacArthur era primo em oitavo grau de Churchill e primo em sexto grau de Franklin Delano Roosevelt.
Um exemplo familiar: há mais de 50 anos minha família perdeu um tio desportista num trágico acidente no treino para uma competição panamericana, no Clube Fluminense, no Rio. Há poucos anos, numa viagem de férias ao Sul do país, um jovem sobrinho, conversando com um companheiro de poltrona, referiu-se ao fato. O homem, muito surpreso disse que havia presenciado o acidente, pois era atleta do clube e também estava no estádio naquele dia.
É interessante fazer um joguinho em cima dessas informações e pesquisar os intermediários e as ligações cruzadas em nossas vidas. Veremos como o mundo é pequeno mesmo!

segunda-feira, 14 de abril de 2014

Uma oração para a páscoa

 

Um Pai Nosso diferente
 
Não posso dizer PAI NOSSO, se não vejo em todos os homens irmãos
meus.

Não posso dizer, QUE ESTAIS NOS CÉUS, se o que me preocupa são os
meus bens da terra.

Não posso dizer SANTIFICADO SEJA O VOSSO NOME, se nao deixo o a-
mor de Cristo crescer em mim.

Não posso dizer SEJA FEITA A VOSSA VONTADE, se divinizo as minhas
vontades, se o que importa é o que eu quero.

Não posso dizer O PÃO NOSSO DE CADA DIA NOS DAI HOJE, se não sou
capaz de repartir meu pão com os necessitados.

Não posso dizer, PERDOAI AS NOSSAS OFENSAS, ASSIM COMO NÓS PERDOA-
MOS A QUEM NOS TEM OFENDIDO,
se minha vida é
 permanente ofensa à
justiça, à
caridade.

Não posso dizer e NÃO NOS DEIXEIS CAIR EM TENTAÇÃO, MAS LIVRAI-NOS
DO MAL
, se fecho os olhos
 à mão estendida, os ouvidos ao pedido,
se fujo de minhas responsabilidades como homem na construção de um
mundo melhor.

Não posso dizer AMÉM, porque minto se nao aceito tudo isto.
 
(Origem desconhecida)