sexta-feira, 15 de novembro de 2013

O "Grande Irmão" e as webcam




Quando li “1984” de George Orwell, há  anos atrás, o que mais me fez refletir foi sobre como aquelas câmeras de controle foram parar em todos aqueles lugares para que o “Grande Irmão” pudesse fiscalizar o mundo.
Para quem (ainda) não leu o livro – um clássico publicado em 1949 – é preciso esclarecer que a obra de ficção descrevia uma sociedade totalitária controlada por um só governante, o “Grande Irmão”, que controlava a vida de toda a humanidade, através de câmeras e telas (de televisão?) instaladas em todos os cantos, das repartições governamentais, passando por ruas, avenidas e estradas, até às residências particulares. A obediência às regras institucionais era obrigatória e fugir delas implicava em punições altamente sofisticadas elaboradas a partir de um método psicológico baseado no medo máximo de cada um. Orwell falava de guerras sem fim entre os continentes que se revezavam a partir de interesses comerciais e políticos. As mudanças constantes destas contendam eram anunciadas, incessantemente, para todos os habitantes, através do sofisticado sistema de comunicação.
Sem entrar nos detalhes da capacidade de Orwell de se adiantar ao futuro e prever uma sociedade bem próxima à nossa, há mais de sessenta anos, inclusive a intuição de um mundo globalizado, dividido entre três grandes potências e interligado por uma rede que ele sequer podia imaginar existir, vou me deter ao que me referi no início – a instalação das câmeras.
Minha pergunta começou a ser respondida no dia em que instalei a primeira webcam em meu computador. Parei e pensei: “Êpa, estou facilitando a rede do “Grande Irmão!” Sem paranoias, comecei a usá-la para falar com algumas pessoas, mostrar meus netinhos aos parentes ausentes, como um ser humano normal do século XXI. No entanto, nunca mais parei de pensar que estava vivendo o período de implantação das câmeras que Orwell retratava em "1984".
De vinte anos para cá, todos nós, da sociedade “pós-moderna” estamos implantando a rede do “Grande Irmão”. Em nome da segurança, comunicação, exibição pessoal e controle instalamos câmeras em todos os lugares. Praças pública, prédios de apartamentos, ruas, avenidas, estradas, escolas, universidade, e o que mais pudermos imaginar, estão expostos a equipamentos de gravação à disposição dos cidadãos, das instituições, do governo e da justiça. Pensem em privacidade, agora, e respondam se conseguem imaginar onde ainda a encontramos.   Corram, é lá que nos escodemos, é para lá que devemos ir. Isto se ainda der tempo...
No dia 10 de novembro, o jornal O Globo publicou matéria com o título “Sorria, você está sendo filmado” em que diz que no Rio há uma média de uma câmera a cada nove habitantes. A cidade conta com 700 mil câmeras de segurança. O mercado de segurança cresce 10% ao ano e está em franca ascensão. A reportagem discute a necessidade de um marco regulatório e os limites entre segurança e privacidade. Ao ler o texto com muitos exemplos e situações polêmicas sobre a instalação de câmeras é que me veio o sentimento de consentimento para o poder do “Grande Irmão”. Não sei se as profecias de Orwell se concretizarão em sua amplitude, mas tenho certeza que é tempo dos indivíduos começarem a se questionar sobre o quanto estão colaborando para isso. Confesso que há um limiar de permissividade e de impossibilidade de retorno do desligamento desta perversa rede que me assusta!
 

 

 

 

 


sexta-feira, 25 de outubro de 2013

O arcano da vez: Temperança

Abri as cartas e tirei uma só, pedindo orientação para meus leitores. Veio a Temperança, bela carta. Quem não quer este atributo nos confusos dias atuais? Bom para refletir sobre como anda nossa vida. Ansiedade, estresse, angustia, tristeza, depressão são palavras que não só ouvimos como sentimos. Mas a temperança nos ajuda a afastar estes sentimentos negativos da “modernidade líquida” que não conseguimos segurar, apreender e compreender. Tudo escapa pelos dedos, como diz Zigmunt Baumann. Porém, só a busca da paciência, serenidade, tranquilidade é que nos faz aceitar a sociedade moderna. A aceitação dispensa a compreensão e solicita a fé. Não uma aceitação submissa e dominadora que nos destrói e anula, mas a aceitação compassiva de que nos fala o budismo tibetano.
A carta da temperança remete a esta compaixão que atingimos a partir do trabalho interior, do autoconhecimento. É como se estivessem nos dizendo: “fiquem tranquilos, tudo que acontece agora é fruto de conquistas anteriores”. Sim, a temperança é a carta dos bons resultados. Ela também remete a um tempo de pausa. Debaixo da influência desta energia, nada vai acontecer de uma hora para outra. Há um tempo para plantar, outro para colher. No meio dos dois está a temperança.
Outro importante significado do arcano da temperança é a alquimia. Há uma passagem do evangelho em que Jesus diz “O sal é bom, mas se o sal perder o gosto, como pode ser recuperado? Não presta nem para a terra nem para o estrume. Jogam-no fora.” A temperança é como o sal e sua maravilhosa alquimia na transformação dos alimentos. No entanto, tem que ser bem dosado, requer equilíbrio. Não há meio termo em seu emprego, ou é salgado, ou não é. Na alquimia da temperança, também; ou estamos em equilíbrio, ou não. Portanto o recado é muito preciso, não há “mais ou menos” quando se fala de temperança. Difícil, não é?
No entanto, a temperança é uma carta apaziguadora e cheia de esperanças. Ao contemplá-la percebemos o trabalho do anjo da alquimia, sempre passando o líquido de uma taça para a outra, sem perturbação, apenas com precisão de movimentos e total atenção.  Ele sabe que esta concentração vai anular os tormentos passageiros e trazer paz à alma. E é isso que desejo a vocês agora. Até a próxima!

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Arcano da vez - Temperança

Abri as cartas e tirei uma só pedindo orientação para meus leitores. Veio a Temperança. Bela carta, quem não quer este atributo nos confusos dias atuais? Bom para refletir sobre como anda nossa vida. Ansiedade, estresse, angustia, tristeza, depressão são palavras que não só ouvimos como sentimos. Mas a temperança nos ajuda a afastar estes sentimentos negativos da “modernidade líquida” que não conseguimos segurar, apreender e compreender. Tudo escapa pelos dedos, como diz Zigmunt Baumann. Porém, só a busca da paciência, serenidade, tranquilidade é que nos faz aceitar a sociedade moderna. A aceitação dispensa a compreensão e solicita a fé. Não uma aceitação submissa e dominadora que nos destrói e anula, mas a aceitação compassiva de que nos fala o budismo tibetano.
A carta da temperança remete a esta compaixão que atingimos a partir do trabalho interior, do autoconhecimento. É como se estivessem nos dizendo: “fiquem tranquilos, tudo que acontece agora é fruto de conquistas anteriores”. Sim, a temperança é a carta dos bons resultados. Ela também remete a um tempo de pausa. Debaixo da influência desta energia, nada vai acontecer de uma hora para outra. Há um tempo para plantar, outro para colher. No meio dos dois está a temperança.
Outro importante significado do arcano da temperança é a alquimia. Há uma passagem do evangelho em que Jesus diz “O sal é bom, mas se o sal perder o gosto, como pode ser recuperado? Não presta nem para a terra nem para o estrume. Jogam-no fora.” A temperança é como o sal e sua maravilhosa alquimia na transformação dos alimentos. No entanto, tem que ser bem dosado, requer equilíbrio. Não há meio termo em seu emprego, ou é salgado, ou não é. Na alquimia da temperança, também; ou estamos em equilíbrio, ou não. Portanto o recado é muito preciso, não há “mais ou menos” quando se fala de temperança. Difícil, não é?
No entanto, a temperança é uma carta apaziguadora e cheia de esperanças. Ao contemplá-la percebemos o trabalho do anjo da alquimia, sempre passando o líquido de uma taça para a outra, sem perturbação, apenas com precisão de movimentos e total atenção.  Ele sabe que esta concentração vai anular os tormentos passageiros e trazer paz à alma. E é isso que desejo a vocês agora. Até a próxima!

sábado, 28 de setembro de 2013

A era da imprevisibilidade

 

Quem esperar estabilidade nos tempos atuais vai se frustrar cada vez mais. A grande lição de quem vive no terceiro milênio é aprender a conviver com a instabilidade. Nada mais de empregos duradouros, cargos vitalícios, vida enraizada em cidades, países, continentes. Casamentos não são mais para toda a vida. Relações afetivas se sucedem como os namoricos de antigamente. A juventude não namora mais: "fica”. Filhos voam precocemente e aterrissam em terras distantes. Amigos partem para novas experiências e ficamos sem os companheiros de café, cinema, bar e longas conversas. Apartamentos alugados são pedidos para venda imediata. Imóveis próprios localizados em locais bucólicos, sem vizinhos, com vistas maravilhosas são invadidos por novas incorporações de muitos andares e torres de celulares. E por aí vai. 


Aposto que todo mundo tem itens para acrescentar a esta minha lista de mudanças súbitas nas nossas rotinas. Quem não passou pela experiência de ligar para um amigo e descobrir que o celular mudou? Ou falar com alguém que não via há algum tempo e ficar sem graça com a notícia de uma inesperada separação? Procurar por uma pessoa e se surpreender ao saber que ela está morando fora do país? Falar com amigas e verificar que os filhos crescidos migraram? Perguntar por aquela loja de sapatos feitos a mão, que sempre foi a minha preferida, ou o açougueiro que me servia tão bem, e ouvir que fechou, e o funcionário foi embora?  


Zigmunt Bauman, o sociólogo polonês radicado na Inglaterra, diz que saltamos de uma longa era de tempo cíclico e linear para uma nova organização de tempo a qual denomina de "modernidade líquida”. Para ele, "um tempo sem seta, sem direção, dissipado numa infinidade de momentos”. Na opinião do filósofo, neste tempo as oportunidades são imprevisíveis e incontroláveis e exige de nós uma vigilância constante que gera ansiedade e a sensação de ter perdido algo. Parece que estamos constantemente correndo atrás de alguma coisa que não sabemos bem o que é. Na verdade, esta é uma era que não nos deixa espaço para perder tempo, este bem precioso que não aprisionamos mais.


A sensação de instabilidade é tamanha que nos empurra para uma busca de especialidades diversas da medicina que terminam, cada vez mais, nos consultórios dos psicólogos, psiquiatras e psicanalistas. Queremos saber se esta ansiedade é só nossa, uma doença, ou sinal dos tempos. E quem pode responder? Ajudar? Muitos terminam nas tarjas pretas, tão comuns às mesas de cabeceira do século XXI.


Outras correntes, à margem da medicina dizem que é dessa imprevisibilidade que se constitui a "Era de Aquário”. São as energias uranianas — de alta potência — preparando o planeta para novas e aceleradas vibrações que não combinam com raízes, situações fixas, relações cristalizadas. E como ficam os conservadores, arraigados, apegados e imutáveis? Todos nós precisamos de uma nova adaptação, pois tudo acontece tão rápido que não nos dá chance de parar para pensar — não há mesmo mais tempo para isso. As mudanças invadem nossas vidas como tsunamis devastadores.


Diante desta aceleração, seja ela dos tempos da modernidade líquida de Bauman, ou das alterações energéticas do planeta, precisamos encontrar caminhos alternativos. Alguns deles nos são oferecidos pelas medicinas orientais — meditação, acupuntura, entre outras —, somadas às correntes de vida saudável da medicina convencional — exercícios aeróbicos, boa alimentação e bom sono. A nova era é holística, ela não separa, soma. Se cuidarmos de nós mesmos como um todo, quem sabe, abriremos novos canais que nos permitam vivermos novos tempos em uma nova vibração?  
 
(Artigo publicado na coluna "Ponto de vista", do jornal A Voz da Serra, Nova Friburgo, em 21/09/2013)
 
PS - Por falar em mudanças, observem as novidades do site de Anna Ramalho que abriga meu blog. Ela também está na vibe da Nova Era! www.annaramalho.com.br
 
 

domingo, 15 de setembro de 2013

Uma carta cigana


Há dois domingos fui a uma festa cigana. Muita alegria, boa comida, fogueira e previsões. Tudo de que eu gosto. Isto me instigou a escolher uma carta do baralho cigano para postar aqui no blog. As cartas ciganas são diferentes do tarô, mais objetivas, materialistas e concretas. Uso-as quando quero pé no chão, respostas claras e rápidas num panorama energético amplo. Chamo-as de “o baralho fofoqueiro”. Não que não abranjam o plano espiritual também. Mas até quando olham o sutil o fazem de uma forma mais focada e fácil de captar. Tenho pessoas que só querem as cartas ciganas. Outras, mesmo sendo adeptas do tarô, em alguns momentos, pedem a energia cigana para ajudá-las a decifrar algum “enigma”.
Depois desta introdução, vamos lá, a carta que retirei foi a da raposa. Uau! Cuidado! A raposa é ladina e come os animais que os ciganos criam, portanto, não são bem vistas por eles. Quando a carta da raposa aparece, é preciso olhar bem as outras cartas ao redor para investigar possibilidades de fofocas, disse me disse, mal entendidos e saber de onde procedem. No nosso caso, a raposa está sozinha, não fiz um jogo, apenas um sorteio. Temos que analisar a energia da raposa isoladamente. Para isso, primeiramente devemos nos resguardar de abrir muito a boca. Se a energia da fofoca está no ar, é de bom tom evitá-la. E só conheço um caminho; não contar nada que não queira que seja divulgado e não divulgar nada que não seja de nossa conta! Atenção, estamos num momento de encolha. Todo cuidado é pouco para fugir de interpretações equivocadas.
Porém, a raposa é esperta! Ela sabe por onde atacar. Tem excelentes estratégias para atingir seus objetivos. Vamos combinar que esses atributos são ótimos para serem explorados em algumas situações de nossa vida? Sem a associação com o mal, esta agilidade da raposa pode ser bem positiva. Mas lembrem bem, o dito animal age sozinho, sem ficar alardeando onde está a presa. Para ela, o segredo é a alma do bom resultado da caça. Se fizer muito barulho, as galinhas cacarejam alto e os ciganos surgem para protegê-las. Quer alguma coisa? Haja em silêncio, seja reservado.
Outra característica da raposa é a rapidez. Ela é ágil em sua caça, não desperdiça energia, concentra-se no objetivo e parte para a ação. Este uso do tempo certo ajuda-a em seus bons resultados. Vamos ser como elas? Nada de indecisão, esperar demais, pensar, dar um tempo. A hora é agora, abocanhe sua presa! Aproveite as oportunidades do momento para melhorar seus desempenhos. É hora de apresentar projetos, programar viagens, fazer concursos e realizar bons negócios. Mas, lembrem-se, sempre de boca fechada!
É dona raposa, gostei de sua inspiração. Obrigada por ter mostrado sua cara tão claramente. Bom rever conceitos que muitas vezes esquecemos de usar por confundi-los com maldade, esperteza, maledicência e outros substantivos de conotação negativa. É isso aí, positivo e negativo andam de braços dados. Um não é bom e o outro ruim. São apenas polos diferentes que quando em equilíbrio geram a luz.
Sejam raposas e aproveitem os resultados. Depois me contem. Boa semana!
 

domingo, 4 de agosto de 2013

De olhos bem abertos

Ilha de Chiloé, Chile

Semana passada perdi a voz. Recomendação médica: antibiótico e repouso de cinco dias para as cordas vocais. Para mim uma tortura. Mas, felizmente, temos cinco sentidos e resolvi ativar a visão para ficar em dia com vários vídeos que me enviaram nos últimos meses. Tenho fontes valiosas que ampliam meu grau de alcance de assuntos espirituais. Aproveito para agradecê-las. Já falei aqui, em outro post, sobre Ale Barello (http://www.youtube.com/watch?v=-wauC2mDvII&feature=youtu.be) que fala sobre a mudança do polo espiritual da terra, do Himalaia para a América do Sul. Intuí que só poderia ser para a Cordilheira dos Andes, pois as altas energias circulam pelo cume das montanhas mais elevadas do planeta. Sincronicamente, Matias de Stefano, jovem argentino de quem já havia assistido um vídeo interessantíssimo (http://www.youtube.com/watch?v=HS0vT9ncxxs) confirma esta afirmativa em outro filme gravado no Corcovado, em dezembro passado (http://www.youtube.com/watch?v=HS0vT9ncxxs). Ele é bem mais claro do que Ale e diz que a kundalini da terra está sim na Cordilheira dos Andes, no sul do Chile, precisamente na ilha de Chiloé – a ilha mágica. Para quem não sabe, numa explicação simplista de um tema complexo, a kundalini pertence ao sistema de sete chacras hindus (entradas de energia cósmica), que se localizam ao longo de nossa coluna vertebral. A kundalini é o primeiro – na região do sacro –  responsável pela concentração de nossa energia vital. Através da liberação gradativa e equilibrada deste chacra, por meio de canais energéticos que acompanham a medula espinhal, misturada às energias que os outros seis recebem, individualmente, nos equilibramos até chegar ao último chacra – da coroa -, no alto da cabeça, onde nos comunicamos com  os planos espirituais.

Matias de Stefano fala sobre o tema de uma forma coloquial e acessível. Transcrevo trechos do vídeo para fazer algumas considerações, especialmente a respeito da viagem do papa Francisco ao Rio de Janeiro:

A importância dos Andes com sua configuração semelhante à coluna vertebral - a energia da ‘serpente dos chacras’ -, hoje, está aqui, no Peru, Bolívia, Chile, Argentina. E toda a região da América do Sul se ativa e começa a cumprir sua função. Esta ativação vai, também, abrir o terceiro olho –  chacra da intuição - que se localiza no Lago Titicaca. A energia se irradia por todas as regiões da América do Sul e nos mostra uma nova visão de como fazer as coisas e nos dá o reconhecimento de que somos ‘a nova visão.’ A energia kundalini - que já está no Chile e Argentina - vai ativar todos os territórios sul americanos. É preciso estarmos atentos para perceber que papel cumprimos nessa ativação da kundakini. Quando a energia kundalini chega ao Chile, na ilha de Chiloé, começa a subir, novamente, pela coluna vertebral para ativar a ' "Grande Mulher”.  Esta, tem a coluna vertebral no Chile, o espírito no Peru, a consciência na Bolívia e o corpo - de uma mulher grávida-, na Argentina. É lá que a semente fertiliza. O Paraguai tem uma chave escondida [aqui Stefano faz um certo mistério]. Para que toda essa energia se processe é necessária a proteção do Brasil e o fruto do Uruguai. O Brasil é como um condor de asas abertas que protege a "Grande Mulher". É o país que vai gerar o acolhimento e segurança para as pessoas que, um dia, virão em massa, do mundo todo para nosso continente [Mas não é por agora, reforça Stefano.]. Este acolhimento está representado pela imagem fraterna (que o mundo inteiro conhece) do Cristo Redentor, de braços abertos, no alto do Corcovado. Há algum tempo, muitas pessoas no planeta estão trabalhando a espiritualidade interior, agora é a hora de trabalhar a espiritualidade das nações. Elas também têm um corpo e fazemos parte dele, assim como temos nossos chacras, os países também têm os seus. Todos têm que trabalhar em conjunto para que se ative esta energia nova.”

São belas imagens e muito simbólicas. Vendo o vídeo e acompanhando as transmissões da JMJ pela televisão, impossível não fazer algumas injunções. Se a Argentina tem as sementes para fertilizar a “nova visão”, já as está semeando pelo mundo, através do papa Francisco que trouxe em seus discursos na JMJ uma mensagem de transformação para a igreja católica. Leonardo Boff, perseguido pela igreja por sua teologia da libertação, disse em palestra, esta semana, em Friburgo, que não imaginou viver para ver este momento do catolicismo. Sem dúvida, a eleição de um papa da América do Sul, confirmou a presença da kundalini e a transferência do centro da espiritualidade do planeta para o nosso continente.  E o que dizer da função de acolhimento do Brasil? Não foi isso que vimos durante uma semana inteira? Jovens de todo o mundo, apesar das dificuldades, deram emocionados depoimentos a respeito de nosso espírito de simpatia e receptividade. Que coisa linda ver aqueles rapazes e moças cantando pelos aeroportos, rodoviárias e ruas da Cidade Maravilhosa, sentindo-se à vontade, quase em casa. Se um dia vamos receber massas de refugiados, não há dúvida que estamos nos preparando para isso. E não é de se espantar que tenhamos começado com um evento espiritual do vulto da JMJ. Em seguida, teremos a Copa do Mundo e depois as Olimpíadas. É o Rio de Janeiro e o Brasil liberando sua energia de acolhimento e hospitalidade.

Sei que vocês gostam quando falo de cartas do tarô e de planetas e signos, símbolos que nos orientam a juntar as peças deste enorme quebra cabeças que estamos montando, agora, no terceiro milênio. Porém muitas pessoas fazem, também, parte da corrente do bem e trazem algumas daquelas pecinhas mais difíceis do jogo. Assistam aos vídeos indicados, eles contêm muitas outras informações preciosas que vão enriquecer e acelerar o processo de cada um. Depois me contem o que acharam.

 

sexta-feira, 28 de junho de 2013

Meu cartaz

 
 
Há anos atrás, reunida numa sala da ESDI – Escola Superior de Desenho Industrial – com vários estudantes, pilô na mão e cartolina na outra, ameaçava escrever o que mandavam meus sentimentos de revolta e rebeldia, quando fui surpreendida por uma “palavra de ordem”: “Atenção pessoal, eles mandaram escrever estas frases....” Imediatamente reagi: “Eles quem?”
A resposta veio rápida e pronta, típica dos que não sabem pensar por si próprios: “Eles, o comando central, ora!” Naquele momento encerrou-se minha carreira de revolucionária. Larguei o material no chão, levantei e disse: “Só escrevo o que penso, ninguém pensa por mim”. Fui. Depois disso, fiz minha política à parte de comandos e partidos. Sempre fui engajada e simpatizei de cara com o PSDB, aderindo a seus princípios e ideais, mais próximos à minha condição de burguesa com tintas de justiça social. O PT nunca me disse nada, não me enquadrava em seus gritos trabalhistas. Enquanto ele ganhava força, crescia minha carreira de empresária onde exerci justiça junto a meus funcionários e desfrutei dos lucros sem culpa.
Hoje, digo a meus alunos na universidade que na minha época quem fez a mudança foi o PSDB e não o PT. Nos primórdios da distensão da ditadura militar, politicamente correto era seguir os passos de grandes homens, fundadores do PSDB, como Severo Gomes, Franco Montoro, Afonso Arinos de Mello Franco, Ruth e Fernando Cardoso, Mário Covas, José Serra, Heloneida Studart e meu querido e saudoso Arthur da Távola, entre muitos outros que trouxeram o Brasil de volta à democracia. A eles acrescento também nomes importantes que admirei politicamente, naquela época: Tancredo Neves, Ulisses Guimarães e Teotônio Vilela.
E por aí fui “caminhando e cantando e seguindo a canção”, pois concordava que “esperar não é saber (...) quem sabe faz a hora não espera acontecer”. E em minha vida a política sempre esteve engajada nos meus atos e no meu espírito. Meus alunos que só sabem da ditadura militar pelos livros e pelo que lhes contam os mais velhos, ouvem de mim um relato realista e vivido, de um período em que os estudantes de Comunicação da UFRJ tinham aula ao lado de um quartel da polícia e ouviam de dentro das salas de aula, através dos muros que nos separavam, os gritos dos torturados. Ficam sabendo que não tínhamos máquinas de escrever, nem fotográficas e nenhum laboratório, com o objetivo de esvaziar a nossa prática e alienar nossos pensamentos. E que na cadeira ao lado podia estar um espião (haviam vários). Mas de nada adiantou, as redações dos jornais se abriram para os estagiários e lá aprendemos a fazer jornal e política, mesmo que nas entrelinhas... Que turma maravilhosa de “professores” tivemos. Posso citar dezenas que me ensinaram os caminhos do lead e da conscientização social e política. Alguns ainda estão aí, muitos já se foram. Todos são responsáveis pela reconstrução da democracia em nosso país. A eles rendo minhas homenagens.
Hoje, vivemos o maior período de liberdade política em nosso país, desde o descobrimento. Mas estamos apenas engatinhando neste processo, o que são 25 anos, diante de 500? E isso também lembro aos alunos, reforçando que a democracia é uma criação do intelecto humano. Nossos ancestrais Neandertais não eram democráticos, muito pelo contrário, matavam quem se aproximasse das fêmeas, crias, comida e territórios. E por isso todo dia ao acordarmos precisamos nos perguntar: “O que farei hoje pela manutenção da democracia?”
E, agora, com que felicidade vejo a resposta a este apelo que faço aos alunos, nas manifestações de rua pelo Brasil afora. O grito da democracia ecoou forte, quase que querendo continuar a obra de Montesquieu, acrescentando mais um poder ao legislativo, executivo e judiciário – o popular –, já que os três por ele sugeridos já não estão mais nos representando. E a jovem estudante que foi embora das preparações para a passeata, em 1968, se rejubilou com a individualidade e criatividade dos cartazes, expostos nas manifestações em tantas capitais e cidades de nosso país. Eles, certamente, foram escritos sem que “eles” mandassem. Valeu a pena viver para ver este momento e, finalmente, escrever também no meu cartaz: VIVA A DEMOCRACIA!